domingo, 17 de maio de 2009

Um artigo que escreveu Luiza...


" O conflito, sob esta ou aquela forma, parece ser a norma da vida, e, sem ele, permanece que a vida nada significaria. Para a maioria de nòs, o cessar da luta é morte. A busca subentende luta, conflito, e este processo é essencial ao homem: ou existe uma outra "maneira" de vida, sem busca e sem luta? Por que e o que buscamos?..."( J. Krishnamurti)

Nòs, pessoas mais maduras, que ja combatemos tantas batalhas e que superamos tantos conflitos, pessoais ou nao, por vzs nem nos lembramos mais de como nos sentiamos, ou mm pensavamos, qdo eramos jovens...
Assim transcrevo "ipsis literis", um artigo que minha filha escreveu comentando sobre aquelas coisas que nos passam pela mente, na dificil fase em que nos confrontamos com a face dura da realidade.

"A prova d’água

No início a tarefa parecia simples, no entanto o tema infantil revelou-se árduo. Primeiro quis escrever um poema sobre: o Amor. Mas, o trabalho de sintetizar em poucas palavras esse conteúdo muito complexo foi além do que poderia exigir da minha inteligência emocional.
Por isso prossegui a empreitada com um texto analítico, quase uma dissertação em prosa, que novamente não aprovei.
O caráter metódico com o qual as idéias ficaram expostas fez a redação parecer mais com um diagnóstico social do amor, que declarava o sentimento uma infecção crônica.
A conclusão lógica que pude tirar é que a enfermidade estava em mim! São as minhas dúvidas persistentes e febris que estão atravancando o trabalho. Pois, me pergunto silenciosamente: quantas pessoas já lhe disseram “te amo”? Quantos já expressaram, efetivamente, carinho incondicional sem jamais pronunciar a palavra amor?
Será que não quero me revelar neste exercício? Sem dúvida! A fim de não me mostrar dominada nem dominadora.
Ainda que alterasse a tática na redação, para por meio da crônica tentar me esconder, tornando- me inquiridora atrás de perguntas aos interlocutores. Essa técnica nitidamente não estava funcionando, já que nem a mim mesma ocultava a farsa...
Esse tema....Amor...me desqualifica como fingidora, essa palavra me desgosta, ela incomoda, essa maldita me amedronta, me despindo de máscaras. Essazinha... ditadora! Tanto das relações inter-pessoais, quanto da relação que temos com nós mesmos. Seu conteúdo é embutido de uma variedade de Amores, assim confuso como se tivesse infinitas facetas que são espécies de amores, são uma fração do gênero, entretanto, todas as porções são importantes? Nenhuma delas é dispensável.
Por fim, assumo! Como alcançar um amor inteiro? Quero desistir dessa palavra incômoda! Posso pensar como essa curta palavra abastece uma indústria imensa, que interfere na economia e na moral. Essa palavrinha... tão explorada que repito: me desgosta.
Ela é objeto de exaustiva autópsia cultural a ponto de não restar mais nada de essencial no produto consumindo; sobra, apenas, a forma do coração, o desenho do ideograma, embalagens vazias.
O sentido do que jazia ali dentro foi perdido.
Sim, estou irritada, é tanta banalidade no dia-a-dia que me sinto dominada pela vontade de ser acéfala! Pela necessidade de ignorar, desmerecer, desprestigiar, desconstruir, desfazer, destruir!
Fazer assim como fizeram com essa pequena palavra: cremada e jogada ao vento.
Ainda que abandone tudo resta o medo, se a realidade fez isso com o amor imagine o que fará comigo....

16 de maio de 2009,
Luiza Helena"

3 comentários:

Fábio Adiron disse...

Clau

Belo texto. Mas a conta para a Luiza que essa palavra é a única que permite que a realidade não nos destrua.

clau disse...

Verdade, Fabio.
Mas como vc sabe, para alguém com seus 25 anos, esta conclusao e tantas outras mais, precisam chegar por si mesmo, no tempo justo...
Bjs!

Luiza Helena disse...

Concordo em número, gênero e grau! Podíamos destruir tudo com palavras, mas no exercício proposto escolheram bem o "amor".
Fábio, obrigada, realmente só com amor//esperança para não sermos destruído.
abç
Luiza