domingo, 10 de agosto de 2008

...procurando compreender.

Conheci uma senhora, sogra de uma amiga, que passava a semana inteira com seus cabelos enrolados em bobs e cobertos por um lenço de seda, por sua fez fixado com grampos dourados.
Os bobs, estes, sò seriam retirados ou por ocasiao de um raro evento ou para a lavagem semanal dos cachos. Mas que, ainda umidos, tornavam para as suas gaiolas plasticas e multi coloridas, no aguardo de ficarem livres num esporadico dia de um mes qq.
Tudo isto pq a senhora queria se apresentar bem qdo isto ocorresse, nao se importando que a sua vida, aquela valida e real, acontecesse em todos os outros dias onde ela se apresentava daquela forma hilaria e absurda...
Ou aquela outra que andava para cima e para baixo, quase que em andrajos. Mm tendo no seu armario tantos sapatos e roupas belissimos e de qualidade, que deveriam sò ser utilizados em momentos validos e parcos. Enquanto transcorria todos os outros dias como se fosse uma maria-ninguém, pq era assim que ela realmente se sentia em meio à toda aquela sua rotina diaria...
Ou aquela que, rosto besuntado e reluzente de cremes mil, transitava entre os bancos e os supermercados do seu dia a dia, esperando para ficar opaca sò em alguma recepçao à qual fosse convidada. Tudo para afugentar, naqueles poucos minutos que dividiria com pessoas que se recordavam dela sempre com aquela mascara na cara, o passar dos anos que se acumulavam sobre os seus ombros...
Ou aquela outra que podendo e tendo gastado os tufos para se conservar sempre com sua cara de 20 aninhos, contava com a burrice ou amnésia dos seus conhecidos, para que nao sonhassem em fazer 2+2 com a sua verdadeira idade. Isto pq, o que mais a alentava era pensar que poderia, assim, causar inveja a todos os seus pares...
Como aquela, tb, que gostava muito de sair e estar com a turma da sua filha, querendo que todos eles a vissem como uma igual. Se esforçando para agir e se vestir como se fosse um deles, nem que fosse na marra. Em uma situaçao que oscilava do histrionico ao contrangedor, dependendo de quem observasse...
Hum...e aquele senhor, entao, tecnico de tv, que cismava de passar os fios do lado direito da cabeça, teimosamente, para o lado esquerdo, na tentativa de iludir as pessoas de que nao seria calvo. Num efeito que se adaptaria, totalmente, à ficçao que passava nos televisores que ele consertava...
Ou aquele seu cliente de meia idade que, por sua vez, abdicava da companhia de seus netos para desfilar, todo santo domingo, em cima de uma possante motocicleta. O que lhe daria aquela tanto almejada sensaçao de ainda fazer a diferença, para quem o notasse...
Ou aquele jovem senhor que dispensava toda e qq atividade que nao fosse fisica e que consumia quilos e quilos de integradores nutricionais. Além de dispender tantos momentos, irrecuperaveis, que poderia desfrutar de outras maneiras validas qto importantes, sò pq obssessionado em cultivar sua impecavel condiçao fisica, Como se nele fosse isto a unica coisa que valesse a pena...
Ou ainda aquele que, sentindo o inexoravel passar do tempo, dispensou a companhia de toda uma vida, imaginando poder, assim, estar dentro de uma nova possibilidade de juventude. Que qdo encontrou, nem percebeu nao ser mais a sua propria. Seguindo satisfeito na sua nova, sim, versao de um Dracula moderno sem perceber, nem remotamente, a fragilidade desta sua atual condiçao.
E a gente fica tentando compreender o pq destas coisas.
E o pq de ser tanto dificil assim ser coerente, equilibrado, justo e tb consciente e seguro daquilo que se é, sem lançar mao de subterfugios para isto.
Ou a razao que existiria em se ficar definindo momentos certos para aparentar ser aquilo que se é ou mm querendo ter coisas que ja nao sao.
Em uma perda de vista dos valores que seriam, estes sim, muito importantes para se ter ou conservar.
Sò pq se esqueceu, ou se perdeu, a noçao de que aquilo que conta, de verdade, é aquilo que se é dentro. Nao deixando parecer importante sò aquilo que, estando fora, se faça passar por sò apresentavel, pretensamente apresentavel ou, mm, somente ridiculo.
Pq qdo alguém é valido e autentico, nao serà nem uma coisa, nem outra, pq tudo faz parte de um conjunto.
Nao somos nòs mesmos se nos plasmamos em algo que dura sò por um intervalo de tempo ou , pior, se nos transformamos em estereotipos, apenas nos levantamos pela manha.
Pq em verdade, ou somos aquilo que somos, sempre, ou nao somos nada.
Pq aquilo que aparentamos ou aquilo que conseguimos, nao tem mais valor do que o como e com qual intençao, chegamos la.
Na verdade, se nao vivessemos em uma sociedade consumista, seria toda a nossa experiencia que deveria ter feito de nòs um ser mais sabio e melhor, no decorrer da vida. E nao todas estas tranqueiras que nos obrigam a ter ou fazer, para termos a possibilidade de estarmos "no mercado" com mais evidencia, nem que seja por um momento, ou por mais tempo, mm que seja sò mais uma ilusao...
Pq a fachada é sempre muito diferente dos tijolos que estao por baixo dela.
Mm que estejamos com os cabelos em desordem ou que nem mm mais os tenhamos.
Ou que, naturalmente, usemos aquilo de que dispomos com a certeza de que nos bastarà.
E que tb nao fiquemos esperando por um momento, efemero e improvavel, enquanto todo o resto de nossa vida passa sem que haja necessidade dele acontecer, realmente.
Sò pq deveria ser assim.
Entao pq sera que tantos de nòs perdemos qde parte da vida fazendo "teatro", ou estipulamos condiçoes insolitas ou mm exigencias inapropriadas, qdo tudo se resumiria na simplicidade de se aceitar ser aquilo que se é e procurando entender, e aceitar, que o nosso semelhante tem este mm direito?
E assim se poderia viver melhor e mais feliz, nao se achando inadequado ou abaixo das expectativas.
Pq se nòs estamos comentando ou criticando todas as coisas que eu descrevi aqui, ou até recordando outro tanto que ainda se poderia elencar, isto é sò pq sao coisas que nos incomodam e chamam nossa atençao.
Pq talvez, quem sabe, vejamos muito de nòs mesmos no que fazem estas pessoas: nao é assim?
E entao, devemos procurar compreender estas coisas para poder ter a certeza de que elas tb nao estao, por um acaso, sucedendo conosco.
Coisas de um momento down de um domingo qq...
Xoooo!

2 comentários:

Gourmandise disse...

Este post me deixou realmente pensativa...
bjo,
Nina.

Dama do Lago disse...

Pois... Não digo que me seja difícil compreender o porquê de tais atitudes, porque até compreendo! O que não percebo é como os próprios protagonistas se satisfazem com esse medíocre e não procuram melhores formas de fortalecer o seu ego.